Governança corporativa e conselhos consultivos como alavancas estratégicas para empresas de pequeno e médio porte

  1. Introdução: desmistificando a governança corporativa

A governança corporativa é frequentemente percebida como um conceito complexo, reservado exclusivamente a grandes corporações. No entanto, essa visão é um equívoco que pode limitar o potencial de crescimento e a perenidade de negócios de todos os portes. Na realidade, a governança corporativa é uma ferramenta estratégica vital, perfeitamente aplicável e benéfica para pequenas e médias empresas (PMEs) de todos os segmentos — incluindo os escritórios de advocacia. Para empresas que buscam crescimento sustentável e organizado, a governança é um sistema simples e poderoso para tomar melhores decisões, reduzir riscos e sustentar o desenvolvimento. Em linguagem direta: governança melhora a qualidade do processo decisório e ajuda a empresa a ser mais ágil e segura em um cenário de incerteza constante.

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) a define como o “sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas”. Em sua essência, trata-se de organizar a casa, alinhar interesses e criar as bases para que as decisões sejam tomadas de forma mais consciente, transparente e eficaz.

  1. O valor estratégico da governança: mais do que apenas regras

As decisões não precisam ser tomadas sozinhas. Em um ambiente de negócios marcado por elevada incerteza e volatilidade, a capacidade de decidir bem e no tempo certo é um diferencial competitivo crucial. É aqui que a governança corporativa atua diretamente, ao melhorar a qualidade do processo decisório. A proposta é substituir a intuição e o improviso por uma estrutura que promova decisões mais precisas e tempestivas — fundamentais para a sobrevivência e o sucesso das organizações, especialmente nas empresas de menor porte — e ajudar o empresário a pensar e avaliar os impactos de suas escolhas hoje e no futuro.

Adotar a governança é uma decisão estratégica orientada à criação e à preservação de valor no longo prazo. Nas PMEs, como destaca a conselheira Catarina Pohl, a flexibilidade é essencial: não se trata de replicar estruturas de grandes corporações, e sim de incorporar os princípios de forma proporcional à realidade do negócio.

  1. Os princípios da governança aplicados ao dia a dia

Falamos em princípios como fundamentos éticos e técnicos. Princípios dão a bússola; regras e processos são a estrada que cada negócio constrói a partir dessa bússola. Nesse contexto, os princípios guiam o julgamento quando não há regra específica — e ajudam a interpretar as que existem.

Na prática, os princípios consagrados da governança — integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade — ganham forma em rotinas simples e consistentes nas empresas. Exemplos:

  • Separar pessoa física da jurídica.
  • Adotar um Código de Conduta que trate de recebimento de presentes e brindes, uso de cartões, carros e outros ativos da empresa.
  • Apurar e acompanhar resultados com regularidade.
  • Realizar reuniões com pauta clara e atas objetivas, registrando decisões e responsabilidades.
  • Assegurar equidade em promoções e bonificações, com regras conhecidas por todos.
  • Planejar caixa e orçamento.
  • Seguir políticas de precificação e descontos, evitando concessões “na emoção”.

Portanto, a governança se manifesta por meio de protocolos internos, definição clara de papéis, políticas de remuneração e mecanismos de controle e avaliação de desempenho.

Os benefícios são tangíveis: maior confiança de clientes, atração de talentos, redução de conflitos internos, melhoria na prestação de serviços e valorização da marca. Escritórios que adotam boas práticas de governança tendem a apresentar melhor desempenho financeiro, maior capacidade de adaptação e reputação mais sólida no mercado.

Em suma, investir em governança corporativa e em conselhos consultivos não é um luxo reservado às grandes empresas. É uma escolha estratégica que pode transformar organizações em estruturas mais eficientes, éticas e preparadas para crescer com consistência. Afinal, governança é, acima de tudo, sobre fazer escolhas melhores — e colher resultados superiores.

Reflexão com base na aula da Prof. Catarina Pohl.

Este site utiliza Cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Clique no botão ao lado para autorizar o uso dos cookies! :D